regresso às origens

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desgasto.me na raiva de não
conseguir que o windows me obedeça
teimo
teclo e (re)teclo

resultado nulo

fecho.o e
combino com outro
sistema operativo o que o primeiro me nega

idêntico resultado

concluo que
entre mim e a máquina há a distância equi
valente a oito megas de inépcia já que
funcionamos em circuitos antagónicos mas
considerando que tal não invalida um
compromisso

proponho.o                   todavia
displicente
o raciocínio binário
recusa.o

pelo que
vencida e não convencida

regresso – por horas - ao manuscrito




imagens//poemas de josé rodrigues
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-josé rodrigues



um relógio cego de fúria
compôs o último tango em
                                        paris
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à revelia

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alguém ousa ocupar o primeiro verso de
um poema à revelia
da língua que
- deambulando entre múltiplos continentes –
se atém ao grito solto das metáforas

- aqui d’el rey –

adquire
a partir de agora
força de lei e

o acto discriminatório da
partilha dos signos
transforma os abutres em
extra.terrestres temerários que
face aos confrontos com as novas ruas
avenidas estrofes e misérias
afirmam em uníssono

-perdoai.lhes pai

porque senhores absolutos
da visão apocalíptica do Universo
abocanharam os instrumentos
de corte e ( assim )
entre nobres cozinheiros
de um reino pronto ao abate
arrancaram as únicas raízes às
árvores genealógicas das escrituras
concebidas muito além do cordame
desta jangada de pedra




-imagens//poemas de josé rodrigues
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tributo a Artur Piazzolla

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um dia alguém escreverá sobre um muro
uma partitura com o mar ao fundo como se
a mesma ousasse a ausência e
a cobrisse de pássaros esconsos
nas sombras da noite           alguém ousará
rasgar o silêncio álacre e com ele
tecer os primeiros compassos da dança
assumida
no desassossego dos corpos

ávidos

entre as sombras da
noite e o colapso do dia os acordes serão o
alimento consentido ao tango e
um amargo sorriso rasgará as memórias (sem abrigo)
concebidas pelos corpos que enlaçados
se dissipam





-imagens//poemas de josé rodrigues
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no ruído da noite

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a minha mão repousa sobre o papel
como se de um corpo se tratasse
sei que vou vagar ( sem escrever ) pela
cava das ondas
acoitadas a jusante          ou  imersa nos
ruídos da noite
quitarei as aves de Juno presentes ao
abate

 abro uma porta ao silêncio e
                                   exibo a minha voracidade
dúctil à barbárie


      


-imagens//poemas de josé rodrigues.
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ao ritmo cáustico da valsa

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às vezes calço sapatos de cetim e
invento cadências movendo.me em passos
inversos ao ritmo da valsa    sei que há coisas que
nada me dizem como
a descoberta do átomo ou a imortalidade da alma

as mãos ( porém ) não aceitam a derrota

quando libertas de banalidades
detecem filigranas e
abertas ao mistério da escrita -

arrolando
palavras interditas

- plantam plátanos de luz no
desassossego de uma mala fechada

ao verso






-imagens//poemas de josé  rodrigues.

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ser ou não ser

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será [in] dispensável dizer não ao escrito
ou reescrever
(melhor )
o já dito?





-imagens//poemas de josé rodrigues
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escrita bárbara

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nada me comove na fúria
única
de escrevinhar as folhas de um livro
apoiada nos cotovelos do
a dorme‘ser

alimento.o com palavras sonâmbulas
deixadas no antever do poema que
se demora
imponderável
no conflito com o verbo

nada me espanta
mais
do que o momento em que o indizível
se tornou a parte significativa
do invisível ( então )
deixo.me
deslizar pelo papel em movimentos
cíclicos e
as palavras em consenso
- soltas de mim –
fogem para a litografia

 
levanto.me
e
apago a luz




-imagens//poemas de josé rodrigues.
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no decurso de...

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há dias em que as palavras se soltam
decorrentes de uma vontade de transgredir a
norma e
correm sobre um laudatório de significâncias
como se
o risco de ir mais além não fosse sinónimo de
estar aquém

nada faz sentido no reino da circunstância

quebrar tabus e contradizer acordos
são anátemas oriundos de um ser
vulnerável ao espelho que temerato reflecte
o disfarce

há um silêncio álacre dentro do poema







-imagens//poemas de josé rodrigues.
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rescaldos

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todos os meus versos são paridos a desoras e
pouco me importa se falam disto ou daquilo
dito.os à folha para fugir ao diletantismo
de ser apenas mais um a nada acrescentar
ao já escrito

- como se os versos se importassem com isso –

aparecem porque sentem vontade de fugir
às opiniões ambulantes formuladas sobre tudo
de brincar com as letras e estas com as frases
num círculo quase perfeito de uma enorme família
ungida pelo vento onde
a mística se dilui na plataforma híbrida do texto

além do mais
sei que
pouco me importa o que dizem depois
da chuva ter entrado dentro do universo
onírico dos meus poemas e nele ter deixado
um pouco de alma ou
um rasto da humana estratégia de não
me saber
aquém da assinatura do Caos






-imagens//poemas de josé rodrigues
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